03-02-2017 Plantio consorciado de café e macadâmia

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, divulgou resultado de estudo desenvolvido sobre o plantio consorciado de macadâmia e café. Em condições irrigadas, o resultado apontou que o salto da produtividade do café foi de 60% e o de macadâmia de 251%, em relação aos cultivos não irrigados. 
Os resultados do estudo foram publicados na edição de novembro de 2016 da revista americana Agronomy Journal, um dos principais periódicos científicos sobre agricultura do mundo. Segundo a notícia, a pesquisa avaliou seis cultivares de macadâmia, sendo três delas desenvolvidas no Brasil, pelo Instituto Agronômico (IAC), e outras três pelo Hawaii Agricultural Experiment Station (HAES). 
O pesquisador da Apta, Marcos José Perdoná, explicou que a cultivar de macadâmia HAES 816 foi identificada como a mais apropriada para o cultivo consorciado por ter menor crescimento horizontal, por precisar de pouca poda e suas amêndoas e por ter maior rendimento industrial. 
Em um novo projeto interinstitucional, envolvendo Apta e Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), iniciado em 2015 e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os pesquisadores da APTA, Marcos Perdoná, e da Unesp, Rogério Soratto, trabalham para avaliar a viabilidade da colheita totalmente mecânica no sistema. Os estudos inéditos da Apta relacionados ao consórcio entre café e macadâmia vêm sendo conduzidos desde 2005, pelo Polo Regional de Bauru da Agência. 
A explicação para o aumento expressivo na produtividade do café está na arborização das plantas, proporcionado pelas árvores de macadâmia, que protegem das ações do calor e vento, que provocam abortamento de flores e ferimentos nas folhas. "O cafezal sofre muito com a ação dos ventos. O uso da macadâmia pode diminuir em 72% a velocidade dos ventos e em 2,2ºC a temperatura média do ar. Além disso, o uso da irrigação é decisivo na produtividade das lavouras de café no Estado", explicou o pesquisador.
Outra justificativa para o ganho da produção do café está na ciclagem de nutrientes. As raízes da macadâmia, mais profundas que as do cafeeiro, resgatam nutrientes que já estavam perdidos. Com a queda e decomposição das folhas, há o aumento da matéria orgânica e de nutrientes disponíveis, melhorando ambiente para o cafeeiro. O pesquisador alertou que o ambiente mais úmido também pode causar alguns problemas na produção, como o aumento da ferrugem e broca do café.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, a pesquisa dá mais uma opção para o agricultor que podem complementar e antecipar sua renda. "Uma das orientações do governador Geraldo Alckmin é justamente melhorarmos, por meio da pesquisa científica, a condição de vida no campo", ponderou.
Ainda segundo a matéria destacada, a produção mundial de macadâmia é em torno de 160 mil toneladas anuais. O Brasil produz seis mil toneladas por ano, sendo São Paulo o maior produtor, responsável por 35% do volume nacional. 
 


Esta matéria teve 68 visitas até agora. Data da publicação: 07/02/2017

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